Many Worlds, Many Languages

20 de novembro de 2014

Reflexões sobre o Deus e o Sacerdócio

Desde 2011 eu celebro ininterruptamente a roda do ano wiccana. Celebro seguindo as datas do hemisfério norte, o que quer dizer que estamos no período entre o Samhain e o Yule. Para quem ainda não se aprofundou nos mitos relacionados a cada sabbat, o Samhain é conhecido como a terceira colheita: a Colheita da Carne. É o período que pela terceira vez o Deus se sacrifica para manter a vida de seu povo e nutrir a terra. O Deus, dentro da Wicca, é encarado como sendo a própria Roda do Ano; os ciclos dos sabbats representam as etapas da sua vida em contraste com as experiência com a/na Deusa. Podemos encarar também como o sacrifício final que prova o amor Dele por Ela; doando sua energia para manter a vida e os ciclos sempre inovadores/renovadores que permeiam a simbologia da Roda do Ano. Uma vez aprendi que o Deus da última roda nunca será o mesmo Deus da próxima. Ele renasce com a mesma essência mas numa nova encarnação, cheio de vida e pronto para encarar e aprender o que aquele novo período trará. 

Me peguei refletindo sobre os sacerdotes (homens) nesse período. Se somos o Deus na terra, e Ele segue esse fluxo cíclico a cada roda, não estaríamos também fluindo nas mesmas marés? Até agora, tudo me leva a crer que sim. Desde o último período entre Samhain-Yule percebo conscientemente essa influência tanto na minha vida, quanto na vida dos sacerdotes a minha volta. Esse é um período de grandes finais e grandes começos, muitas vezes nada fáceis. Questões mal resolvidas que nem durante o rito de Samhain puderam (e muitas vezes nem deveriam) ir embora, vem nesse momento para o acerto final de contas. Nem sempre são questões negativas ou interiores. Também são conquistas finais que estavam esperando o momento certo para surgirem em nossas vidas. Aprendizados que surgem ao longo dessa "jornada pelo submundo" que o Deus e nós, seus instrumentos nesse plano, empreendemos. No fim, vamos encarar o que vem pela frente, nosso renascimento para sermos novamente um novo Deus, numa nova roda, com novos desafios, plantios, aprendizados e colheitas. Até agora, acredito que esse período Samhain-Yule é um encontro com nossas dívidas. E infelizmente nem sempre temos o crédito em conta para pagá-las. 

Esse tal de auto-conhecimento, sempre fazendo a gente crescer. E depois que você se inicia a cobrança só triplica. Acho justo. Afinal tivemos a ousadia de passar pelo menos uma roda testando se aquele seria mesmo o caminho que queríamos trilhar pro resto de nossas vidas; e quisemos. Agora cabe a nós aprendermos a melhor maneira para lidar com nossas jornadas interiores e trabalhar. Muito. Para que quando vier o período Samhain-Yule, podermos encarar nossas dívidas com a carteira bem cheia, a mente tranquila e a certeza de que teremos chance de adquirimos muitos outros débitos na próxima roda. 

Pois então, mãos a obra. 
"O problema é: você pensa que tem tempo." - Buda 


Álex Hylaios  

   

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